Capacidade operacional exige experiência prática e habilidade técnica
- Giselle Guimarães Gomes
- há 21 horas
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Você escolheria para operar seu coração um cirurgião que não entra em uma sala cirúrgica há quinze anos? Ele ser o atual diretor cirúrgico, depois de ter ocupado vários cargos na administração hospitalar, te faria mudar de ideia?
Ou embarcaria num avião com um piloto que acumulou horas de voo… mas no passado? Passado, aqui, não é só tempo. É contexto: outro modo de operar. Em aviões com sistemas analógicos.

Como você lidaria com um policial que foi admitido na corporação, fez o treinamento básico e depois foi afastado para funções administrativas e, desde então, por mais de dez anos, nunca mais treinou tiro? Você se sentiria confortável com o porte de arma desse policial nas ruas?
Provavelmente não.
O trabalho técnico exige mais que formação ou treinamento: exige experiência prática constante e atualização contínua.
Não tem nada a ver com inteligência.
O problema surge quando alguém que não sabe também não sabe que não sabe. Esse não saber se torna incompatível com a posição ocupada. Porque quem não sabe, mas acredita que sabe, reage defensivamente. Procura preservar um status anterior que já não se sustenta.
Porque reconhecer o limite exigiria desmontar a própria identidade, construída décadas antes em um contexto que já não existe mais.
Isso aparece como segurança excessiva, recusa em aprofundar, deslocamento do debate e, não raro, grosseria. Minha mãe estava certa em chamar o rude de ignorante. Ao fim e ao cabo, são fruto da mesma árvore.
Nesse ambiente, o diálogo técnico deixa de ser possível.
Ambientes onde a experiência prática e a capacidade operacional deixam de ser critério tendem a substituir execução por narrativa, precisão técnica por autoridade e diálogo por marcação de posição.
Um bom administrador não se reconhece como um técnico, ainda que um dia o tenha sido, mas como um aglutinador de especialistas. Um gestor de recursos, inclusive humanos. Ouve, confia, delega. Sabe que a capacidade operacional sai de si no momento em que assume função estratégica.
No fim, a pergunta não é sobre quem é mais inteligente, quem é melhor ou qualquer outra pequenez, mas quem é mais adequado a qual plano: estratégico, tático ou operacional.
A operação não comporta quem não opera. A cada nível, o seu lugar de fala.
É simples assim.
Quem opera?




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